sexta-feira, setembro 27, 2013

A orelha de abano na infância

“Minha filha nasceu com a orelhinha meio dobradinha pra frente...Usar faixinhas resolve?” Esta, sem dúvidas, é uma das perguntas que muitas mães se fazem ao perceber alguma alteração na estrutura da orelha do bebê. Afinal, não é só por uma questão estética, mas muito mais por uma questão emocional e a preocupação com o bullying na infância que o questionamento surge.
E apesar da incidência não ser tão alta, de 2 a 5% da população mundial tem orelhas de abano, o medo de o filho sofrer motiva muitos pais a procurar alternativas. Por exemplo, no caso citado acima, a mãe usava faixas para “segurar a orelha no lugar”, mas a chance de resolver plenamente só com esta medida, para aquela bebê de apenas 5 meses, não era grande. Então, o que se deve fazer?
A cirurgia que resolve esse problema é a Otoplastia, e pode corrigir um defeito na estrutura das orelhas presente desde o nascimento, que se torna aparente com o desenvolvimento, ou tratar as orelhas deformadas causadas por lesão. É esta cirurgia a responsável pela criação de uma forma natural, dando equilíbrio e proporção às orelhas e à face.
“Então posso fazer logo que notar algo diferente?” Não, o ideal é fazer esta intervenção cirúrgica a partir dos 5 anos de idade ou quando a cartilagem da orelha estiver estável o suficiente para a correção. Para isso, é preciso passar por uma avaliação de um especialista – um cirurgião plástico Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – para saber se o procedimento já pode ser feito.
A cirurgia ajuda a acabar com a discriminação e a solucionar problemas de bullying no ambiente escolar, mas não resolverá todos os problemas do paciente. Por isso, é importante conversar com a criança para entender o quanto as orelhas a incomodam, e se ela está disposta a cooperar com os pedidos do médico e seguir suas recomendações. Afinal, nesta idade, as crianças são capazes de expressar o que sentem e devem participar da decisão.
Agora, e quando a criança não vê as orelhas como um problema? Em alguns casos, o incomodo é maior nos pais do que nos próprios filhos, que conseguem lidar com as “brincadeiras” dos amigos tranquilamente. Por exemplo, uma paciente decidiu operar apenas aos 21 anos e me confidenciou que sofreu sim bullying na escola por ter orelha de abano, mas levava na brincadeira porque “tinha uma cabeça boa, então, não ligava tanto para isso”. Depois, mais velha, por vaidade, decidiu que era hora de operar e ficou muito feliz com o resultado.
Independente da idade e mesmo sendo uma cirurgia relativamente simples, o pós-operatório costuma ser um pouco dolorido no início, pede o uso de faixas e certas restrições na hora do sono precisam ser seguidas. Assim, se a decisão de pais e filhos for pela cirurgia, um bom momento para realizar o procedimento é nas férias escolares, quando a criança poderá descansar e seguir todas as recomendações médicas.
Neste vídeo, vocês, mamães, poderão saber com mais detalhes como funciona a Otoplastia: http://www.youtube.com/watch?v=71PpqelYH9c&feature=youtu.be


***Artigo escrito pelo Cirurgião Plástico Dr. Pablo Rassi Florêncio. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), é graduado em Medicina e pós-graduado em Cirurgia Geral pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), e pós-graduado em Cirurgia Plástica pelo Instituto de Cirurgia Plástica Santa Cruz (ICPSC), ambos em São Paulo. Com atuação em Cirurgia Estética, Cirurgia Reparadora e Procedimentos Minimamente Invasivos, Pablo Rassi Florêncio participou de inúmeros Congressos, Cursos e Simpósios no Brasil e no exterior. Colaborou na organização de Simpósios de Cirurgia Plástica e com um capítulo na publicação “Cirurgia Plástica – Os Princípios e a Atualidade”. http://www.pablorassi.com.br/

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